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8.2 T�cnicas de aplica��o

Sum�rio - Precedente - Siguiente

8.2.1 Tratamento de superf�cies utilizando pulverizadores

Os produtos para a pulveriza��o utilizados no combate das pragas de armazenagem. s�o preparados tomando como base as formula��es EC e WP (veja-se sec��o 8.1.3). Estes produtos s�o utilizados para o tratamento de superf�cies tanto dos lugares de armazenagem. como das pilhas de sacos. Eles tamb�m podem ser utilizados para pulverizar o produto que vai ser armazenado durante a passagem sobre as cintas transportadoras at� os silos.

8.2.1.1 Pulverizadores

Dependendo da altura e do tamanho da �rea que deve ser tratada, utilizam-se pulverizadores de levar �s costas de funcionamento manual ou com motor, ou pulverizadores m�veis motorizados com uma capacidade de 10 e 100 litros. Estes �ltimos podem ser recomendados especialmente para o tratamento da �rea dos telhados nos armaz�ns de grande capacidade. Mostram-se a seguir os modelos mais comuns de pulverizadores:

Figura 94

As instru��es de servi�o devem ser observadas com cuidado ao usar os pulverizadores para evitar tratamentos incorrectos, danos da sa�de ou do aparelho. � absolutamente necess�rio cuidar os pulverizadores, efectuar os trabalhos de manuten��o correspondentes e limpar os mesmos com aten��o depois do uso.

8.2.1.2 Preparac�o do l�quido de pulveriza��o

O l�quido de pulveriza��o deveria ser preparado sempre num balde e n�o directamente no pulverizador. Isto garante uma boa mistura do l�quido.

Figura 95

Para a prepara��o das formula��es EC, deve-se p�r primeiramente a quantidade de �gua requerida num balde (1), ajuntar a quantidade calculada de insecticida com um copo graduado (2) e revolver com cuidado a mistura servindo-se de um bast�o (3). A mistura deveria ser enchida ent�o no pulverizador passando pelo filtro que se encontra no recipiente para o insecticida (4) para evitar o entupimento do bico com impurezas. Os l�quidos EC de puiveriza��o s�o misturas est�veis (emuls�es) que n�o se separam, mesmo depois de um longo per�odo de repouso.

Para a prepara��o das formula��es WP, deve-se pesar a quantidade necess�ria, misturar a mesma com um pouco de �gua at� obter uma pasta consistente e diluir depois, ajuntando devagar a �gua restante. As misturas WP s�o suspens�es inst�veis e devem ser continuamente revolvidas durante a aplica��o para evitar que o p� se deposite no fundo do recipiente de pulveriza��o.

8.2.1.3 Aplica��o da mistura de pulveriza��o

O tratamento deveria come�ar logo depois de estar pronta a mistura. No caso de ficar um resto de l�quido no pulverizador durante um tempo, deveria-se revolver o mesmo antes de voltar a ser aplicado.

� importante que a quantidade calculada e preparada para a �rea que deve ser tratada (veja-se sec��o 8.3.2.1) seja repartida uniformemente. Isto requer uma determinada experi�ncia da parte do utilizador. No caso de sobrar ou de faltar l�quido durante o tratamento de uma �rea determinada, devera-se proceder mais rapida ou lentamente na pr�xima vez.

Ao efectuar um tratamento de superf�cies, e importante proceder sistematicamente. Nas paredes pode-se alcan�ar uma distribui��o uniforme pulverizando da forma indicada nas ilustra��es seguintes:

Figura 96

Para isto, � recomend�vel escolher determinados pontos de orienta��o, p.ex. ranhuras, vigas ou manchas, para evitar de esquecer alguns lugares ou as repeti��es de pulveriza��o no mesmo lugar. A distancia com respeito ao muro deve ser escolhida de tal maneira que a pulveriza��o cobra a superf�cie do mesmo com gotinhas do tamanho menor poss�vel. Isto significa na pr�tica que � necess�rio estar mais perto do muro ao tratar as partes superiores e de se afastar para tratar as de mais abaixo:

Figura 97

Ao estar parado muito longe do muro, a pulveriza��o do insecticida s� alcan�a parcialmente a superf�cie do mesmo. Ao estar parado muito perto, uma grande quantidade do insecticida fica concentrado numa �rea pequena, o que tem como resultado que o l�quido corra para baixo. Ambos erros devem ser absolutamente evitados.

No caso de n�o possuir um pulverizador de alta press�o, o melhor m�todo de tratar o tecto � o de subir sobre as pilhas de sacos.

Para tratar as pilhas de sacos, deve-se tratar primeiramente a superf�cie superior, continuando pelos lados. Deve-se cuidar especialmente dos espa�os entre os sacos para evitar que fiquem lugares que n�o tenham sido tratados.

Tamb�m deve ser pulverizada a superf�cie debaixo das paletas, em fun��o do alcance do pulverizador utilizado.

O ch�o do armaz�m � tratado por �ltimo, come�ando pelo fundo e terminando pelas portas.

Restos eventuais de l�quidos podem ser utilizados para pulverizar lugares particularmente amea�ados como cantos, ranhuras ou paletas vazias aonde os insectos podem esconder facilmente.

Depois do tratamento, deve-se enxaguar o pulverizador imediatamente com �gua limpa. Deve-se cuidar especialmente a limpeza do bico.

Figura 98

8.2.2 Nebuliza��o

As nebuliza��es s�o efectuadas com as formula��es FOG (HN), as quais j� v�m prontas para o uso, ou com as formula��es EC (resistentes ao calor) misturadas com carburante Diesel. Aplicam-se as mesmas utilizando um enevoador a quente. Este m�todo � especialmente adequado para combater as pragas de insectos voadores, particularmente as tra�as.

Figura 99

As formula��es FOG n�o penetram dentro do produto armazenado. Por isso, as nebuliza��es n�o s�o eficientes para combater as infesta��es de cole�pteros ou larvas.

� aconselh�vel repetir uma nebuliza��o depois de aproximadamente duas semanas para alcan�ar tamb�m as tra�as que eventualmente se desenvolveram entretanto. Deve-se examinar primeiramente a necessidade de um tal procedimento.

O requerimento b�sico para obter uma nebuliza��o eficaz, � que a mat�ria activa possa actuar durante pelo menos 12 horas. Isto significa que o armaz�m deve ser fechado hermeticamente. No caso que a n�voa possa escapar por meio de furos, ranhuras, aberturas de arejamento, portas, etc., o tratamento n�o pode ser muito eficaz.

A aplica��o � simples. A formula��o FOG deve ser enchida no recipiente para o insecticida do enevoador. Coloca-se depois o aparelho na entrada da porta entreaberta e come�a-se com o procedimento.

Figura 100

Antes de come�ar com o tratamento, devem-se apagar as luzes acesas no armaz�m para evitar eventuais explos�es. Cuidar que o aparelho de nebuliza��o n�o esteja demasiado perto da pilha de sacos para evitar uma poss�vel igni��o. Ao terminar a nebuliza��o, deve-se retirar o aparelho e fechar bem a porta. N�o esquecer de colocar placas de advert�ncia!

Em lugares de armazenagem muito grandes, recomenda-se entrar com o enevoador, ligar o mesmo e retroceder em direc��o a porta afastando-se da n�voa. N�o esquecer de utilizar uma m�scara!

Recomenda-se nebulizar durante o fim de semana, aproveitando que ningu�m trabalha. Depois do tratamento, ventilar bem o armaz�m durante v�rias horas antes de entrar.

Tamb�m podem ser utilizados cartuchos fumigat�rios no caso de n�o dispor de um aparelho de nebuliza��o a quente.

8.3 C�lculo da dosagem de insecticidas

O c�lculo da quantidade de insecticida a ser utilizado deve ser efectuado com muita aten��o devido a que:

- uma dosagem insuficiente significa:

� falta de protec��o eficiente
� perda de dinheiro
� apoio ao desenvolvimento de resist�ncias

- uma dosagem excessiva significa:

� perigo para o utilizador e os consumidores
� utiliza��o n�o rent�vel

S� uma dosagem correcta garante o sucesso no combate das pragas reduzindo todos os demais riscos a um m�nimo (veja-se sec��es 8.1.5 e 8.1.6). Os detalhes enquanto �s doses de aplica��o recomendadas e ao conte�do de mat�ria activa no produto, s�o indicados na etiqueta da embalagem do insecticida.

O produto armazenado que vai ser tratado directamente deve ser pesado.

As �reas das superf�cies que v�o ser tratadas devem ser medidas e calculadas.

Para organiza��es de v�rios armaz�ns, recomenda-se introduzir a utiliza��o de pilhas de sacos com tamanhos estandardizados e a publica��o de instru��es t�cnicas para os tratamentos. Estas devem incluir os detalhes seguintes no referente � elabora��o de misturas para a pulveriza��o:

� Quantidade de �gua por pilha estandardizada (em litros)

� Especifica��es e quantidade do insecticida por pilha estandardizada (em ml para formula��es EC e g para formula��es WP)

Isto simplifica a aplica��o dos tratamentos e evita erros de dosagem.

8.3.1 C�lculo da dosagem das formula��es de p�s para tratamentos de superf�cie

Doses de aplica��o recomendadas em g/m�
(= g de produto comercial/m� de superf�cie)

Dados necess�rios para o c�lculo:

� �rea da superf�cie que vai ser tratada (em m�)
� dose de aplica��o recomendada de insecticida (em g/m�)

A �rea de superf�cie calculada que deve ser tratada (em m�) � multiplicada pela dose de aplica��o recomendada do insecticida.

Exemplo: Uma pilha de sacos tem uma �rea de superf�cie de 120 m�). Deve ser tratada com uma formula��o para a pulveriza��o de 5 %. A dose de aplica��o recomendada � de 10 g/m2. Precisam-se ent�o

10 g/m2 x 120 m�) = 1 200 g

da formula��o ao 5% para tratar a pilha.

8.3.2 C�lculo da dosagem das formula��es EC e WP para tratamentos de superf�cie

Deve-se responder a duas perguntas antes de poder calcular a dosagem das formula��es EC e WP:

1. Quanta mistura de puveriza��o � necess�ria para a �rea da superf�cie que deve ser tratada?

2. Quanto insecticida � necess�rio para obter a quantidade correcta de mistura de pulveriza��o?

8.3.2.1 Quantidade de mistura necess�ria para o tratamento de superf�cies

Dados necess�rios para o c�lculo:

� �rea da superf�cie que vai ser tratada (em m�)
� dose de aplica��o recomendada de mistura de pulveriza��o (em 1/100 m�)

Princ�pio geral:

Quanto mais lisa a superf�cie, menos mistura � necess�ria.

As quantidades seguintes s�o recomendadas para os tratamentos de superf�cies de:

muros lisos: 3 - 51/100 m�
muros rugosos: 6 - 8 1/100 m�
sacos de juta: 8 - 101/100 m�
sacos de pl�stico: 3 - 51/100 m�

Para calcular a quantidade necess�ria de mistura de pulveriza��o, multiplica-se a dose de aplica��o recomendada pela �rea da superf�cie efectiva que vai ser tratada.

Exemplo: Uma pilha de sacos de juta tem uma superf�cie de 160 m�. A dose de aplica��o recomendada � de 81/100 m�. Precisam-se

8 l/100 m� x 160 m� = 12.8 l

de mistura de pulveriza��o para tratar a pilha.

8.3.2.2 C�lculo da quantidade de insecticida necess�ria para uma mistura de pulveriza��o

- Dose de aplica��o recomendada em ml/l (EC) ou g/l (WP)
(= ml ou
g do produto comercial/l de mistura de pulveriza��o)

Dados necess�rios para o c�lculo:

� quantidade de mistura de pulveriza��o (em 1)
� dose de aplica��o recomendada de insecticida (em ml/l para formula��es EC ou g/l para formula��es WP)

A dose de aplica��o recomendada de insecticida � multiplicada pela quantidade de mistura de pulveriza��o calculada.

Exemplo: 12.81 de mistura de pulveriza��o s�o necess�rios para tratar uma pilha de sacos

a) A pilha deve ser tratada com uma formula��o EC com 50% de mat�ria activa. A dose de aplica��o recomendada � de 20 ml/l.. Precisam-se

20 ml/l x 12.8l = 256 ml

da formaula��o EC para a pulveriza��o.

b) A pilha deve ser tratada com uma formula��o WP com 40% de mat�ria activa. A dose de aplica��o recomendada � de 30 g/l. Precisam-se

30 g/l x 12.8 = 384g

de formula��o WP para a pulveriza��o.

- Dose de aplica��o recomendada de insecticida em %
(= % de mat�ria activa na mistura de pulveriza��o)

Dados necess�rios para o c�lculo:

� Quantidade necess�ria de mistura de pulveriza��o (em l)
� Conte�do de mat�ria activa no insecticida (em %)
� Dose a aplica��o recomendada de insecticida (em %)

Neste caso, a quantidade de insecticida necess�ria pode ser deduzida do quadro de percentagens, em fun��o da concentra��o de mat�ria activa no produto comercial e da dose de mat�ria activa recomendada na mistura de pulveriza��o. As quantidades de insecticida alistadas figuram no quadro em ml/l para formula��es EC e em g/l para formula��es de misturas WP. O c�lculo da dosagem � efectuado em quatro etapas com o quadro de percentagens:

1. A linha superior indica diferentes doses de aplica��o em %. Procure a coluna correcta para a quantidade a aplicar!

2. A coluna da esquerda mostra diferentes concentra��es de mat�ria activa nos insecticidas em %.

Procure a linha correcta para a concentra��o de mat�ria activa indicada na etiqueta do insecticida utilizado!

3. Procure agora o ponto de intersec��o da lina e da coluna escolhidas! A cifra indicada l� corresponde � quantidade de formula��o EC ou WP em ml ou g necess�ria para 1 litro de mistura de pulveriza��o.

4. Calcule a quantidade de insecticida necess�ria para preparar a quantidade efectiva de mistura requerida!

Exemplo:

Necessitam-se 12.8 litros de mistura de pulveriza��o.
Deseja-se utilizar um insecticida 50 EC (concentra��o de mat�ria activa = 50%).
A dose de aplica��o recomendada �de 0.25% (concentra��o de mat�ria activa na mistura de pulveriza��o).

O ponto de intersec��o da linha dos 50% e da coluna dos 0.25%, indica a quantidade necess�ria para 1 litro de mistura de pulveriza��o:

Precisam-se 5 ml da formula��o EC 50.

5 ml/l x 12.8 l = 64 ml

de insecticida s�o necess�rios para 12.8 litros de mistura de pulveriza��o.

O aumento do volume da mistura de pulveriza��o que resulta da adi��o do insecticida � �gua, n�o merece aten��o nenhuma. Os c�lculos das formula��es WP s�o efectuados da mesma maneira que os das formula��es EC.

Quadro para o c�lculo da quantidade de insecticida necess�ria para 1 litro de mistura para a pulveriza��o

Concentra��o de

mat�ria activa no

produto comercial

Dose de aplica��o recomendada (% de m.a. na mistura para a pulveriza��o)

0.05% 01% 02% 0.25% 0.3% 0.4% 0.5% 0.6% 0.8% 1.0% 2.0%
 

Quantidade necess�ria do produto comercial (ml de EC ou g de WP) para 1 l de mistura

1 % 50 100 200 250 300 400 500 600 800 1000 2000
2% 25 50 100 125 150 200 250 300 400 500 1000
2.5% 20 40 80 100 120 160 200 240 320 400 800
3% 17 33 67 83 100 133 167 200 267 333 667
5% 10 20 40 50 60 80 100 120 160 200 400
7% 7 14 28 36 43 57 71 86 114 143 286
10% 5 10 20 25 30 40 50 60 80 100 200
20% 2.5 5 10 12.5 15 20 25 30 40 50 100
25% 2 4 8 10 12 16 20 24 32 40 80
35/36% 1.4 2.8 5.6 6.9 8.3 11 14 17 22 28 56
40% 1.3 2.5 5 6.3 7.5 10 12.5 15 20 25 50
50% 1 2 4 5 6 8 10 12 16 20 40
60% 0.8 1.7 3.3 4.2 5 6.7 8.3 10 13 17 33
75% 0.7 1.3 2.7 3.3 4 5.3 6.7 8 11 13 27
80% 0.6 1.3 2.5 3.1 3.8 5 6.3 7.5 10 12.5 25
90% 0.6 1.1 2.2 2.8 3.3 4.4 5.6 6.7 9 11 22
100% 0.5 1 2 2.5 3 4 5 6 8 10 20

Exemplo:

a) Para o tratamento de urna pilha, sa$o necess�rios 12 l de mistura para a pulveriza��o.
b) O insecticida dispon�vel e uma formula��o EC com 50% de m.a.
c) A dose de aplica��o recomendada � de 0.5%.
d) Quanta quantidade de formula��o EC � necess�ria para o tratamento?
e) Encontre o ponto de intersec��o entre a linha dos 50% e a coluna dos 0.5%!
f) Calcule a quantidade de EC necess�ria para 12 l:
10 ml x 12 = 120 ml
g) Deve-se misturar uma quantidade de 120 ml de formula��o EC com 121 de �gua.

8.3.3 C�lculo da dosagem dos produtos de nebuliza��o

A dosagem de um concentrado de nebuliza��o depende do volume do espa�o vazio no armaz�m. Por isso, � necess�rio determinar primeiramente o volume total do armaz�m e deduzir deste o volume das pilhas.

As doses de aplica��o recomendadas das formula��es de nebuliza��o prontas para o uso v�m indicadas geralmente em ml/100 m� de volume.

Exemplo: Um armaz�m com um comprimento de 40 m, uma largura de 15 m e uma altura de 8 m contem 10 pilhas de sacos do mesmo tamanho, ou seja 5 m x 5 m x 4 m.

Deve-se combater uma infesta��o de tra�as com diclorvos, uma formula��o para a nebuliza��o pronta para o uso.

A dose de aplica��o recomendada � de 100 ml/100 m�.

C�lculo do volume do espa�o vazio no armaz�m:

Armaz�m: 40 m x 15 m x 8 m = 4 800 m�
Pilhas: 5 m x 5 m x 4 m= 100 m� x 10= 1 000 m�
Espa�o vazio: 4 800 m� - 1000 m� = 3 800 m�

Precisam-se

100 ml/100 m� x 3 800 m� =3 800 ml = 3.8 l

da formula��o de nebuliza��o.

8.4 Medidas de precau��o

Os insecticidas constituem um perigo mais ou menos grande para o ser humano e para os outros organismos vivos. Para minimizar o risco de danos, devem ser tomadas e seguidas estritamente determinadas medidas de precau��o durante a manipula��o com insecticidas. Mesmo inobserv�ncias aparentemente sem import�ncia das normas de seguran�a, podem ter consequ�ncias s�rias, muitas das quais n�o s�o vis�veis imediatamente.

8.4.1 Armazenagem dos insecticidas

Ao armazenar insecticidas, � imprescind�vel:

- excluir qualquer perigo para o ser humano, os animais ou para o ambiente
- que os insecticidas conservem a sua efectividade o mais tempo poss�vel

Por isso, devem ser observadas as regras seguintes:

- Conserve os insecticidas fechados a chave para evitar o acesso aos mesmos �s pessoas n�o autorizadas! Um arm�rio para a conserva��o de venenos instalado num quarto bem arejado � suficiente para guardar quantidades pequenas, um armaz�m de pesticidas ser� necess�rio para quantidades maiores.

Figura 102

- Armazene os insecticidas longe dos outros produtos, nunca em oficinas ou outros quartos aonde as pessoas passam tempo dentro!

- Armazene os insecticidas s� na embalagem origina] para evitar urna eventual confus�o! N�o encher nunca insecticidas em garrafas vazias ou em latas!

Figura 103

- Armazene insecticidas em lugares frescos, secos e sombreados!

- Compre s� as quantidades que pretende utilizar num per�odo de armazenagem determinado. Sobretudo os p�s para a polvilha��o degradam rapidamente no caso de condi��es clim�ticas tropicais, perdendo assim a sua efici�ncia. Adicionalmente, isto permite trocar de mat�ria activa regularmente e evitar o desenvolvimento de resist�ncias.

- A regra 'o primeiro que entra, sai primeiro!' deve sempre ser aplicada para os insecticidas.

8.4.2 Manipula��o dos insecticidas

Ao manipular com insecticidas, o mais importante e a protec��o do utilizador. Devido � grande responsabilidade de uma tal tarefa, � muito importante que s� pessoas suficientemente familiarizadas com as t�cnicas e com os eventuais perigos tratem com insecticidas. No caso de que pessoal menos instruido trate com insecticidas, devem ser dirigidos e controlados os trabalhos por um t�cnico devidamente qualificado.

Devem ser observadas as regras seguintes:

- Ler sempre a etiqueta e seguir as instru��es do fabricante!

Figura 104

- Prestar aten��o aos simbolos de perigo que figuram nas embalagens e respeitar os mesmos! Produtos altamente t�xicos t�m o s�mbolo da caveira, os menos t�xicos t�m uma cruz:

Figura 105

- Simbolos f�ceis, sem palavras (pictogramas) foram elaborados para transmitir informa��es chaves enquanto � seguran�a para alcan�ar pessoas com diferentes n�veis de instru��o. Os significados desses simbolos s�o indicados na pr�xima p�gina.

- Tomar todas as precau��es necess�rias para o caso de uma emerg�ncia: informar um medico local sobre os produtos qu�micos utilizados, cuidar de estar em condi��es de prestar primeiros aux�lios e ter sempre �disposi��o suficiente �gua, sab�o e carv�o activo!

- Verificar que o equipamento utilizado para a aplica��o dos insecticidas esteja em boas condi��es (aparelho para polvilhar, pulverizadores, enevoadores)!

- Misturar os l�quidos de puiveriza��o ao ar livre, n�o dentro do armaz�m!

- Evitar qualquer contacto com os insecticidas!

- N�o inalar os vapores de insecticidas!

- N�o usar nunca as m�os para misturar os insecticidas! Utilizar sempre um bast�o limpo!

Figura 106

N�o utilizar nunca a boca para soprar dentro de um bico entupido!

- Vestir sempre roupa de protec��o para misturar e aplicar insecticidas!

Figura 107

A roupa de protec��o consiste em:

� Um fato-macaco (de algod�o leve em regi�es tropicais) ou cal�as e camisa de manga larga
� Um chap�u (preferentemente com aba)
� Um respirador ou uma viseira com um filtro fino de protec��o contra o p�
� Luvas de borracha
� Botas de borracha ou sapatos s�lidos de couro (n�o sand�lias)

- N�o beber, n�o comer, n�o fumar durante a manipula��o com insecticidas!

- N�o beber �lcool, nem directamente antes, nem logo depois do tratamento com insecticidas, devido a que este acelera a passagem das subst�ncias t�xicas no corpo.

- Usar determinados baldes s� para a prepara��o de insecticidas e nunca para outros prop�sitos, ainda quando tenham sido bem limpados!

- N�o deitar fora nunca restos da mistura!

Figura 108

- Misturar s� a quantidade de liquido necess�ria de acordo aos c�lculos efectudos. Pequenos restos da mistura podem ser utilizados para lugares com grande risco de infesta��o ou para tratar paletas vazias dentro do armaz�m.

- Destruir todas as embalagens vazias dos insecticidas! Estas cont�m restos de insecticida, ainda quando tenham sido bem limpadas.

Figura 109

O m�todo mais seguro para eliminar as embalagens � a destrui��o das mesmas (achatar as latas, cortar os recipientes de pl�stico, romper as garrafas). Enterrar depois os restos num lugar longe de po�os, aglomera��es ou �reas cultivadas.

N�o � aconselh�vel queimar os restos de embalagens, devido � emana��o poss�vel de gases t�xicos perigosos.

- Limpar bem todos os materiais utilizados e as m�quinas! Enxaguar o equipamento de pulveriza��o, baldes, copos graduados, etc., utilizando muita �gua.

- Lavar a roupa de protec��o com suficiente sab�o (ou sab�o em p�) e �gua! N�o lavar junto com outras roupas!

Cuidar que os po�os ou outras fontes de �gua n�o sejam contaminadas com a �gua utilizada para lavar a roupa!

Figura 110

- Tomar um duche ou lavar bem todo o corpo depois de tratar com insecticidasl

Figura 111

- Mudar de roupa depois de tornar um duche ou se lavar!

- Se for necess�rio, colocar placas indicadoras de advert�ncia (p.ex. depois de enevoar) e fechar os locais tratados para prevenir outras pessoas do perigo!

8.4.3 Envenenamento e primeiros auz�lios

Ao utilizar correctamente os insecticidas, � bastante improv�vel que ocorram casos de envenenamento. A maioria dos acidentes ocorrem por inobserv�ncia das regras e recomenda��es correspondentes.

A contamina��o com insecticida pode ocorrer:

- por ingest�o (contamina��o oral)
- por absor��o pela pele (contamina��o dermal)
- por inala��o dos vapores de insecticidas (contamina��o respirat�ria).

Al�m disso, insecticidas podem entrar directamente na circula��o do sangue por feridas abertas.

Distingue-se entre dois tipos de intoxica��o:

� Envenenamento agudo, quando os sintomas podem ser vistos logo depois de absorver ou de entrar em contacto com um insecticida.

� Envenenamento cr�nico, quando os sintomas s� se voltam aparentes depois de um determinado tempo de contactos repetidos. O envenenamento cr�nico pode demorar anos at� se declarar.

Dependendo do tipo de contamina��o, do n�vel de toxicidade, da quantidade absorvida, da formula��o do insecticida e da constitui��o da pessoa afectada, podem aparecer os sintomas seguintes de forma mais ou menos acentuada:

Envenenamento leve Envenenamento moderado Envenenamento grave
Contamina��o dermal: irrita��o, transpira��o, dor de cabe�a, n�useas, vertigem, cansa�o, fraqueza transpira��o excessiva, pulso acelerado, cansa�o, ang�stias, dificuldade na l�ngua, confus�o convuls�es, perda de consci�ncia, perda do pulso, interrup��o da respira��o
Contamina��o dos olhos: irrita��o, lacrima��o vis�o difusa, pupilas dilatadas ou estreitas  
Ingest�o: diarreia, transpira��o, perda do apetite, boca e garganta irritada n�useas, convuls�es estomacais, saliva��o extrema, v�mitos, fr�mitos e convuls�es musculares convuls�es, interrup��o da respira��o, perda do pulso, perda da consci�ncia
Inala��o: tosse dificuldade de respira��o, dor no peito da consci�ncia interrup��o da respira��o, convuls�es, perda do pulso, perda

No caso de aparecer algum destes sintomas, mesmo de forma atenuada, devem-se prestar primeiros aux�lios imediatamente e a pessoa em quest�o deve ser levada o mais r�pido poss�vel ao m�dico mais pr�ximo. Um envenenamento agudo pode levar at� � morte!

As medidas de primeiros aux�lios devem ser respoitadas e efectuadas o mais r�pido poss�vel num caso de envenenamento:

Contacto com a pele:

- Retirar a roupa contaminada!

Figura 112

- Lavar a parte do corpo afectada com muita �gua e sab�o!

Figura 113

- No caso de n�o haver �gua na proximidade imediata, esfregar o insecticida com um trapo e procurar �gua!

Figura 114

- No caso de que o insecticida tenha entrado nos olhos, enxaguar os mesmos durante 10 a 15 minutos abaixo de �gua corrente!

Figura 115

Inala��o ou ingest�o:

- Transportar a pessoa em quest�o num lugar sombreado, soltar a roupa eventualmente apertada ao corpo e colocar o doente numa posi��o confort�vel at� que possa ser transportado ao m�dico!

- No caso que a pessoa tenha perdido a consci�ncia, coloque ela de costado e cuide de que possa respirar livremente (limpar as vias respirat�rias se for necess�rio)!

Figura 116

- Fazer vomitar a pessoa no caso da mesma n�o estar inconsciente (colocando seus dedos na garganta ou dando lhe �gua salgade de beber (1 colher de ch� de sal num copo de �gua) para retirar poss�veis subst�ncias t�xicas do est�mago!

Figura 117

- Al�m de �gua e, se tiver � disposi��o carv�o activo, n�o deve-se dar �pessoa afectada nada para comer ou beber, A �gua vai diluir as subst�ncias t�xicas ingeridas (importante no caso de subst�ncias c�usticas) e o carv�o activado vai absorver a maioria das subst�ncias t�xicas.

N�o oferecer nunca � pessoa afectada ovos, leite, �lcool, etc.! Todos estes produtos aceleram a penetra��o das subst�ncias t�xicas no corpo.

- No caso de envenenamento evidente, mas tamb�m no caso de uma suspeita, deve ser consultado um m�dico, ainda quando os sintomas n�o s�o aparentes! Muitas vezes os sintomas s� aparecem muitas horas depois da intoxica��o e poderia-se perder tempo valioso para um eventual tratamento.

- Deve-se pensar tamb�m em levar a etiqueta ou a embalagem do produto para poder oferecer ao m�dico as informa��es necess�rias!

8.5 Equipamento

O equipamento para o uso de insecticidas inclui:

- Equipamento de aplica��o (aparelho para polvilhar, pulverizador, enevoador)
- Baldes
- Copos graduados (1 - 2 litros, 100 ml) - Balan�a de insecticidas
- Bast�o para revolver
- Fita m�trica
- Insecticida aprovado -�gua limpa
- Roupa de protec��o consistente de:

� fato-macaco de material leve
� chap�u
� respirador ou viseira com m�scara de protec��o contra o p�
� �culos de protec��o
� luvas de borracha
� botas

8.6 Refer�ncias liter�rias

AN�NIMO Problems of Pesticide Residues in Stored Grain, GASGA Executive Seminar Series No. 3, 24 p.

APPERT, J. (1985) Le stockage des produits vivriers et semenciers, Maisonneuve et Larose et A.C.C.T., dois volumes, total de 225 p.

BAUR, F.I., ed. (1984) Insect Management for Food Storage and Processing, St. Paul, 384 p.

CHAMP, B.R. & C.E. DYTE (1976) Report of the FAO Global Survey of Pesticide Susceptibility of Stored Grain Pests, FAO, Rome, 297 p.

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DAVIES, J.E., V.H. FREED & F.W. WHITTEMORE (1978) An Agromedical Approach to Pesticide Management, USAID, Washing ton., 320 p

GOLOB, P. (1977) Mixing Insecticide Powders with Grain for Storage, TPI, London, 14 p.

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OUDEJANS, I.H. (1982) Agro-Pesticides: Their Management and Application, Bangkok, 205 p.

ROBBE, P. & G. MAURIN (1988) Index Phytosanitaire Afrique, Paris, 255 p.

SNELSON, I.T. (1987) Grain Protectants, ACIAR, Canberra, 448 p.

THEISSEN, J.-G. & R. PIERROT (1994) Food Crop Protection in West and Central Africa MCP, Paris, 525 p.


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