8. Combate de pragas por meio da utiliza��o de insecticidas
Sum�rio
- Precedente - Siguiente
8.1
Insecticidas
8.2
T�cnicas de aplica��o
8.3 C�lculo da dosagem de insecticidas
8.4
Medidas de precau��o
8.5
Equipamento
8.6
Refer�ncias liter�rias
No combate contra as pragas existem dois tipos de tratamentos complementarios: as medidas preventivas e as curativas. As medidas preventivas, as quais consistem sobretudo em dispor de constru��es de armazenagem adequadas e na observ�ncia cuidadosa de todas as medidas referentes � higiene, formam a base de qualquer combate contra as pragas. Sem estas medidas, todas as demais nem surtem efeito, nem s�o rent�veis. As medidas de combate das pragas s�o descritas detalhadamente na sec��o 5.2; a sec��o 3.3 tamb�m contem informa��es importantes ao respeito.
A medida curativa mais importante utilizada no combate contra as pragas que atacam os produtos armazenados, � a aplica��o de produtos qu�micos. Distingue-se entre os insecticidas e os fumigat�rios (veja-se cap�tulo 9).
As partes deste cap�tulo que tratam do uso de insecticidas referem-se exclusivamente a casos de armazenagem centralizada. A aplica��o de insecticidas ao n�vel de pequenas herdades e tratada na sec��o 4.4.3. As outras partes deste cap�tulo referem-se conjuntamente aos dois tipos de armazenagem.
8.1.1 Princ�pios gerais
� Os insecticidas s�o sempre utilizados adicionalmente �s medidas de higiene e nunca como substitui��o das mesmas.
� Uma infesta��o grave dificulta consider�velmente o combate com insecticidas. Por isso, deve-se cuidar de combater uma infesta��o em devido tempo.
� A escolha dos produtos certos deve ser feita considerando os aspectos seguintes:
� esp�cies de insectos presentes (sensitividade, resist�ncia)
� m�todo de armazenagem (em sacos ou a granel)
� condi��es clim�ticas (decomposi��o dos produtos pela humidade e por altas temperaturas)
� natureza dos produtos armazenados
� restri��es legais (utilize s� produtos autorizados. No caso que o pa�s n�o tenha uma legisla��o correspondente, atenha-se ao c�digo de conduta FAO/WHO)
� disponibilidade e pre�o.
� Os insecticidas n�o devem ser armazenados por mais tempo que o indicado como data limite. Compre s� a quantidade necess�ria para um per�odo de armazenagem (veja-se tamb�m sec��o 8.4) para que o produto n�o fique demasiado tempo sem ser utilizado e para evitar uma decomposi��o do mesmo.
� � aconselh�vel trocar de mat�ria activa (se for poss�vel) todos os anos para evitar o desenvolvimento de resist�ncias.
� As medidas de precau��o que se referem ao uso de insecticidas devem sempre ser observadas. Deve-se prestar uma aten��o especial aos s�mbolos de perigo indicados sobre as embalagens. Estes chamam a aten��o da pessoa que vai utilizar o insecticida para os perigos particulares do produto escolhido (veja-se tamb�m sec��o 8.4.2).
8.1.2 Campo de aplica��o ao n�vel de armazenagem centralizada
Uma gest�o correcta e normas de higiene rigorosas s�o as condi��es fundamentais do sucesso no combate das pragas.
No caso de uma armazenagem central, p.ex. em dep�sitos, podem ser observados os seguintes campos de aplica��o para insecticidas:
Tratamento de superf�cie dos locais vazios
Trata-se de um m�todo de combate curativo eficaz para limpar o lugar de armazenagem antes da entrada de mercadoria nova. Deve-se cuidar de utilizar os insecticidas apropriados. Os efeitos das formula��es EC sobre as superficies s�o geralmente muito fracos, as formula��es WP mostram melhores resultados. Todos os insecticidas s�o mais persistentes sobre superf�cies lisas de cimento que sobre superf�cies rugosas e alcalinas (caiadas). V�rios testes de laborat�rio efectuados na Alemanha mostraram que as mat�rias activas tetraclorvinphos, deltametrina e phoxime apresentam bons resultados de conjunto.
V�rios testes efectuados durante os �ltimos anos mostraram que a pulveriza��o residual de superf�cies como p.ex. paredes e solos n�o �rent�vel, j� que a actividade residual da maioria dos insecticidas nessas condi��es � muito curta. Sobre superf�cies absorventes como p.ex. paredes caiadas, cimento e blocos, a actividade residual dos insecticidas �geralmente muito breve, n�o importando o tipo de mat�ria activa ou formula��o utilizados. As piretrinas sint�ticas ("piretroidas") fazem a excep��o, eles s�o bastante mais persistentes. Como protec��o residual das superf�cies, parece que os p�s inertes oferecem um potencial consider�vel (veja-se sec��o 10.2).
� evidente que os insecticidas s�o muito mais efectivos sobre as superf�cies limpas que sobre as sujas. A limpeza dos locais vazios antes de come�ar com a pulveriza��o das superf�cies deve fazer parte das medidas indispens�veis e sistem�ticas.
Tratamento de superf�cie das pilhas de sacos
Desde h� muito tempo, costuma-se proteger as pilhas de sacos contra infesta��es por meio de um tratamento com um insecticida de contacto de ac��o prolongada. N�o obstante, este m�todo n�o e satisfact�rio devido �r�pida decomposi��o dos pesticidas. Sobre superf�cies n�o absorventes como p.ex. os sacos de polipropileno, a actividade insecticida � melhor que sobre superf�cies altamente absorventes, como p.ex. os sacos de juta.
Como conclus�o, pode-se recomendar a pulveriza��o da superf�cie das pilhas de sacos unicamente como aplica��o n�o residual no momento da fumiga��o das pilhas. Uma continua pulveriza��o das superf�cies poderia multiplicar a resist�ncia devido � exposi��o repetida das popula��es de insectos do produto armazenado a doses subletais.
Mais eficaz seria um tratamento individual das camadas de sacos durante o empilhamento. Em todo o caso, isto parece ser menos practic�vel.
Uma alternativa ao tratamento de superf�cie consiste em recobrir a pilha de sacos com lonas leves de algod�o ou de nylon como protec��o contra os insectos rastejadores ou voadores. A impregna��o das lonas com subst�ncias repelentes (p.ex. �leo de neem, veja-se sec��o 4.3.2.2) aumenta o efeito de protec��o do produto armazenado contra infesta��es. N�o obstante, tomam-se assim mais dif�ceis os controlos indispens�veis das pilhas, sem considerar os custos.
Tratamento espacial nos armaz�ns
A nebuliza��o � o m�todo mais eficaz para o tratamento espacial. Condi��o pr�via e um armaz�m de fecho herm�tico. Este m�todo � especialmente adequado para o combate curativodas pragas voadoras.
Para o combate preventivo das tra�as, penduram-se tiras de evapora��o na parede do armaz�m fechado.
� indispens�vel controlar a efici�ncia do conjunto dos tratamentos efectuados nos armaz�ns.
8.1.3 Formula��es
Os insecticidas vendidos no mercado pelos fabricantes s�o chamados produtos comerciais. Eles cont�m uma ou mais mat�rias activas ao igual que ingredientes inertes e aditivos especiais. Estes �ltimos facilitam a ades�o da mat�ria activa sobre a superf�cie tratada e melhoram a persist�ncia, agem como sinergistas ou coloram simplesmente o insecticida para que seja reconhecido como tal.
Dependendo da formula��o, os produtos comerciais devem ser misturados com um liquido - geralmente �gua - para obter uma mistura pulverizadora, ou eles s�o vendidos j� prontos para o uso.
As formula��es mais comuns s�o as seguintes. As abreviaturas correspondem especifica��es da FAO:
- Formula��es em p� (DP) devem ser misturadas com o produto armazenado ou utilizadas para o tratamento de superf�cies. Elas cont�m entre 0.1 e 5% de mat�ria activa e est�o prontas para o uso. Utilizam-se principalmente ao n�vel de armazenagem de pequenas herdades.
- Concentrados emulsion�veis (EC) para a adi��o ao produto ou como tratamento de superf�cie. Eles cont�m entre 1 e 100% de mat�ria activa e s�o misturados com �gua, obtendo-se dessa mistura uma emuls�o est�vel para ser utilizada sobretudo em armaz�ns.
- P�s melh�veis (WP) para o tratamento de superf�cie. Eles cont�m entre 10 e 50% de mat�ria activa. Eles s�o misturados com �gua, resultando em suspens�es inst�veis que devem ser constantemente remexidas para que o p� n�o se deposite.
- Concentrados fluidific�veis (SC) para o tratamento de superf�cies. Estes s�o concentrados l�quidos relativamente est�veis e similares �s formula��es EC. At� agora, eles n�o s�o usualmente utilizados no combate das pragas que atacam os produtos armazenados.
- Concentrados para a nebuliza��o a quente (HN). Estas formula��es - tamb�m chamadas 'FOG' - cont�m at� 100% de mat�ria activa. Estes concentrados v�m j� prontos para o uso ou devem ser diluidos com Diesel ou querosene. Algumas formula��es EC resistentes ao calor podem ser utilizadas tamb�m para a nebuliza��o.
- Aerossois em forma de fitas de evapora��o (VP) ou como caixa fum�gena (FD) ou cartuchos fumigat�rios (FP) para o uso no combate contra as tra�as. Estes produtos v�m prontos para o uso. Os cartuchos fumigat�rios tamb�m s�o utilizados �s vezes ao n�vel de pequenas herdades ou na armazenagem de toda uma aldeia. Estes produtos t�m um bom efeito de "knock-down" sobre os insectos adultos.
- Formula��es de ultra baixo volume ULV (UL) para o tratamento de superf�cie. Elas j� v�m prontas para o uso e s�o aplicadas com dispositivos especiais. A sua utiliza��o � ainda muito limitada.
8.1.4 Exig�ncias aos insecticidas empregados na protec��o dos produtos armazenados
Enquanto que existe uma grande variedade de produtos para combater as pragas antes da colheita, encontram-se s� alguns poucos produtos que correspondem �s exig�ncias particulares requeridas para a protec��o contra as pragas durante o per�odo de armazenagem.
Os insecticidas para a protec��o dos produtos armazenados deveriam cumprir as exig�ncias mencionadas a seguir. N�o obstante, nenhum dos produtos existentes est� em condi��es de satisfazer todo o conjunto de exig�ncias:
� boa efici�ncia contra a maioria das pragas que atacam os produtos armazenados (efeito de espectro amplo)
� persistente na efici�ncia
� est�vel sob diferentes condi��es clim�ticas
� baixa toxicidade para os animais de sangue quente
� pouca tend�ncia a generar resist�ncia por parte dos insectos
� n�o ficam res�duos nocivos nos produtos armazenados
� sem influ�ncia sobre o cheiro ou o sabor do produto armazenado
� sem reac��o qu�mica com os ingredientes do produto armazenado (prote�nas, lip�dios, etc.)
� f�cil de usar
� bom pre�o
Incumbe ao utilizador de escolher o insecticida correcto, o mais adequado para cumprir com as exig�ncias especificas. As informa��es seguintes servem de ajuda para efectuar a escolha certa.
8.1.5 Grupos de mat�rias activas utilizados no combate das pragas que atacam os produtos armazenados
Existem dois grupos importantes de mat�rias activas utilizados na protec��o do produto armazenado, os preparados organofosforados e as piretrinas:
Os preparados organofosforados
Estes preparados s�o efectivos contra a maioria das pragas que aparecem durante a armazenagem, com excep��o dos Bostrichidae (Rhyzopertha dominica, Prostephanus truncatus, Dinoderus spp.). Alguns destes preparados s�o sens�veis ao calor e � humidade. Os seguintes produtos s�o os mais comummente utilizados:
| Mat�ria activa | Nome comercial |
| Pyrimiphos-metilo | Actellic |
| Fenitroti�o | Folithion, Sumithion |
| Chlorpyrifos-metilo | Reldan |
| Methacrifos | Damfin |
| Diclorvos (DDVP) | Nuvan, Vapona |
| lodofenphos | Nuvanol |
| Tetraclorvinphos | Gardona |
| Phoxime | Baythion |
| Malati�o | Malathion, Malagrain etc. |
Piretrinas sint�ticas
Estes s�o muito efectivos no combate contra os Bostrichidae, no enquanto n�o t�o efici�ntes contra outros tipos de cole�pteros. Eles servem tamb�m no combate contra as tra�as. Os mais comuns s�o:
| Mat�ria activa | Nome comercial |
| Deltametrina | K-Othrin |
| Permetrina | Permethrin |
| Fenvalerate | Sumicidin |
| Cyflutrina | Baythroid |
Produtos combinados
Os produtos combinados, chamados tamb�m formula��es "cocktail", cont�m um preparado organofosforado e urna piretrina. Estes produtos foram utilizados como insecticidas de espectro amplo durante alguns anos, dando bons resultados nos casos de infesta��o mista. Encontram-se no mercado os seguintes produtos combinados:
| Mat�rias activas | Nome comercial |
| Pyrimiphos-metilo + Permetrina | Actellic Super |
| Pyrimiphos-metilo+ Deltametrina | K-Othrine Combi |
| Fenitroti�o + Cyflutrina | Baythroid Combi |
| Fenitroti�o + Fenvalerate | Sumicombi |
Outros grupos de mat�rias activas
O emprego dos hidrocarbonetos clorinados, utilizado durante muito tempo para o combate das pragas de armazenagem n�o � mais admiss�vel hoje em dia devido � alta persist�ncia e aos riscos que pode significar para a sa�de.
Entre os carbamatos, o carbarilo ("Sevin") e utilizado dentro de um determinado limite para a protec��o dos produtos armazenados. Ele mostrou ser bastante eficaz contra a esp�cie Rhyzopertha dominica.
8.1.6 Escolha do insecticida com respeito �s esp�cies de pragas e �s propriedades das superf�cies a ser tratadas
� No caso de uma infesta��o com cole�pteros n�o sendo os Bostrichidae, ser�o utilizados preparados organofosforados.
� No caso de predominar uma infesta��o com Bostrichidae (Rhyzopertha dominica, Prostephanus truncatus, Dinoderus spp.), recomenda-se a utiliza��o de piretroidas.
� No caso de uma infesta��o mista com Bostrichidae e outras esp�cies de cole�pteros, pode-se utilizar um insecticida combinado, sempre que isto seja permitido pela legisla��o local. Caso contr�rio, pode-se alternar a utiliza��o de insecticidas organofosforados e piretrinas.
� No caso de uma infesta��o com tra�as, utiliza-se o organofosfato Diclorvos (DDVP). O m�todo de aplica��o mais efectivo � o da nebuliza��o, ou ent�o como tratamento de superf�cie ou utilizando fitas de evapora��o.
� No referente ao tratamento das paredes caiadas (decomposi��o r�pida da maioria dos insecticidas devido ao ambiente alcalino), recomenda-se a utiliza��o de iodofenphos e tetraclorvinphos.
Pontos de ordem geral referentes �s pulveriza��es das superf�cies com insecticidas:
- O efeito � melhor
� sobre as superf�cies limpas que sobre as sujas
� sobre as superf�cies lisas que sobre as rugosas
- A persist�ncia e melhor
� sobre madeiras e metais que sobre cimento ou superf�cies alcalinas
� com formula��es WP que com formula��es EC
Nos pr�ximos dois quadros, indicam-se os resultados de testes de laborat�rio com respeito � persist�ncia dos insecticidas utilizados nos climas tropicais para a protec��o dos produtos armazenados. Estes quadros informam sobre a escolha dos insecticidas apropriados em fun��o das condi��es clim�ticas. Indica-se para cada esp�cie de praga, o per�odo m�ximo com pelo menos 90% de efeito protector. Deve-se contar com efeitos residuais mais baixos na pr�tica.
Efeito dos insecticidas utilizados para os produtos armazenados em regi�es de clima �rido (Temperatura: 36�C: humidade relativa: 50%)
* para 100 kg de gr�o (de acordo �s instru��es do
fabricante)
� s� sobre a descend�ncia; sem efeito sobre os adultos
Efeito dos insecticidas utilizados para os produtos armazenados em regi�es de clima h�mido (Temperatura: 28�C; humidade relativa: 75%)
* para 100 kg de gr�o (de acordo �s instru��es do fabricante)
As p�ginas seguintes oferecem um sum�rio dos insecticidas utilizados comummente no combate das paragas de armazenagem e sobre as propriedades dos mesmos, ao igual que informa��es sobre a sua aplica��o. Para cada mat�ria activa, existem os dados seguintes (para as defini��es, vejase sec��o 8.1.7 e 8.1.8):
� A toxicidade, indicada como DL50 oral em mg de mat�ria activa/kg de peso do corpo
� O limite m�ximo de res�duos (LMR) para os gr�os de cereais em ppm, de acordo �s recomenda��es do "Joint Codex Committee on Pesticide Residues" da FAO/WHO
� A dosagem recomendada como adi��o aos cereais em ppm
� A concentra��o recomendada para as misturas de pulveriza��o utilizadas como tratamento de superficie em %
� Recomenda��es para o tratamento de espa�os nos armaz�ns
� Observa��es de ordem geral
- Preparados organofosforados:
Clorpyrifos-metilo
DL50: 1630 - 2140 mg/kg
LMR: 10 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 10 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.5 - 1%
Observa��es: Insecticida que age por contacto, ingest�o e por meio de vapor. A persist�ncia do insecticida � moderada e ele controla um amplo espectro de pragas que atacam os produtos armazenados (excepto Rhyzopertha dominica). Foram registadas resist�ncias v�rias vezes em diferentes esp�cies de insectos.
Diclorvos (DDVP)
DL50: 56 - 108 rng/kg
LMR: 2 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 2 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.250/D
Tratamento de espa�o: diluir com Diesel at� 1% (1 - 2
l/1000 m�); tratamento preventivo: 1 fita/30m3
Observa��es: Insecticida de alta press�o de vapor e um forte efeito de "knock down". Ele e eficiente contra a maioria das pragas de armazenagem.; especial mente no est�dio larval dentro do gr�o (efeito de penetra��o elevado) e tamb�m contra as tra�as. Breve estabilidade residual. Testes efectuados recentemente mostraram que o DDVP � um cancer�geno potencial, de maneira que � muito poss�vel que o preparado seja retirado completamente ou pelo menos restrito na sua utiliza��o no futuro.
Fenitroti�o
DL50: 800 mg/kg
LMR: 10 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 10 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.5%
Observa��es: O fenitroti�o tem um efeito de amplo espectro contra todas as esp�cies, embora n�o seja completamente efectivo contra Rhyzopertha dominica. Boa estabilidade durante mais de 12 meses. Apropriado para a utiliza��o sob condi��es de armazenagem tradicionais como p�.
Iodofenphos
DL50: 2 100 mg/kg
LMR: nenhuma recomenda��o
Dosagem (tratamento de superf�cie): 1 - 2%
Observa��es: O iodofenphos � utilizado somente para o tratamento de superf�cie. Ele mostra um efeito de amplo espectro contra as pragas dos produtos armazenados, embora seja menos efectivo contra Rhyzopertha dominica e Trogoderma granarium. Utiliza-se frequentemente para o combate das pragas sobre as superf�cies de cimento em armaz�ns devido � boa estabilidade mostrada sob condi��es alcalinas. A persist�ncia � menor que a do fenitroti�o.
Malati�o
DL50: 2 800 mg/kg
LMR: 8 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 8 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cies): 2%
Observa��es: O malati�o foi amplamente utilizado durante mais de 20 anos, o que teve como consequ�ncia o desenvolvimento de uma resist�ncia acentuada por parte das pragas que atacam os produtos armazenados em todo o mundo. Nos Estados Unidos parou-se a produ��o deste preparado em 1991, parcialmente como consequ�ncia de est�dios que provaram a presen�a muito comum de quantidades de res�duos intoler�veis nos produtos aliment�cios. Em pa�ses aonde este insecticida barato e geralmente eficiente n�o foi aplicado t�o intensivamente no passado, e aonde a resist�ncia por parte dos insectos n�o � frequente, ele � ainda utilizado na armazenagem ao n�vel de pequenas herdades em forma de p� para a polvilha��o. O malati�o tem um efeito mais fraco que a maioria dos outros insecticidas organofosforados, degradando-se rapidamente sob condi��es quentes, h�midas e alcalinas.
Methacrifos
DL50: 678 mg/kg
LMR: 10 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 10 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.5%
Tratamento de espa�o: 5% como solu��o para atomizar (1
l/1000 m�)
Observa��es: O methacrifos age como veneno de contacto, de vapor e de ingest�o contra as pragas mais importantes de armazenagem e os seus est�dios larvais dentro do gr�o. Ele � efectivo contra muitos insectos resistentes ao malati�o. Ele mostra um efeito de "knock-down" acentuado e combate tamb�m Rhyzopertha dominica. A degrada��o ocorre a temperaturas significativamente altas e na humidade.
Phoxime
DL50: 1 975 mg/kg
LMR: nenhuma recomenda��o
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.2% em armaz�ns
vazios
Tratamento de espa�o: 5% como solu��o para atomizar (1
- 2l/1000 m�)
Observa��es: O phoxime � utilizado principalmente para o tratamento de superf�cie e de espa�o em armaz�ns vazios e em silos de cimento. Ele oferece um amplo espectro de actividade por meio de uma ac��o de ingest�o e de contacto. O phoxime � um insecticida de curto prazo e efeito de "knock-down". Ele mostra resist�ncia cruzada nos insectos resistentes ao malati�o.
Pyrimiphos-metilo
DL50: 2 050 mg/kg
LMR: 10 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 10 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.5%
Tratamento de espa�o: diluir com Diesel at� 5% (1 -
2l/1000 m�)
Observa��es: O pyrimiphos-metylilo � um insecticida de amplo espectro e ac��o r�pida por contacto e por vapor. Ele oferece um efeito prolongado frente a uma grande quantidade de pragas que atacam os produtos armazenados, mas n�o � suficientemente efectivo contra Rhyzopertha dominica. O seu efeito pode ser comparado com o do fenitroti�o e o do clorpyrifos-metilo, embora o pyrimiphos-metilo pare�a ser mais potente contra as esp�cies resistentes ao malati�o. Nos �ltimos anos, registaram-se ocasionalmente casos de resist�ncias contra o pyrimiphos-metilo.
Tetraclorvinphos
DL50: 4 000 mg/kg
LMR: nenhuma recomenda��o
Dosagem (adi��o aos cereais): 15 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 1 - 2%
Observa��es: Este insecticida mostrou ser efectivo contra muitas esp�cies de pragas que atacam os produtos armazenados. Ele � muito persistente sobre superf�cies alcalinas, sendo por isso utilizado para o tratamento estrutural em armaz�ns e silos de cimento.
- Piretroidas:
Cyflutrina
DL50: 500 mg/kg
LMR: 2 ppm (na Austr�lia)
Dosagem (adi��o aos cereais): 1 - 2 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.4 - 0.8%
Observa��es: A cyflutrina oferece uma protec��o fi�vel para os produtos armazenados contra o ataque de insectos rasteiros e voadores. Ela combate esp�cies de insectos resistentes aos preparados organofosforados. A sua actividade residual � prolongada, tamb�m sobre as superf�cies alcalinas
Deltametrina
DL50: 135 - 5 000 mg/kg
LMR: 1 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 1 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.1 - 0.15%
Tratamento de espa�o: diluir com Diesel at� 1% (1 l/1000
m�)
Observa��es: A deltamethrine � uma das mat�rias activas mais potentes dentro do grupo das piretroidas. Ela � efectiva contra a maioria das pragas de armazenagem (excep��o: Sitophilus spp.), particularmente contra todas as esp�cies da fam�lia dos Bostrichidae como Rhyzopertha dominica e Prostephanus truncatus. A sua ac��o � retardada mas de longa dura��o.
Fenvalerate
DL50: 451 mg/kg
LMR: 2 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 2 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.5%
Observa��es: O fenvalerate mostrou ser efectivo contra Rhyzopertha dominica. Ele age por contacto e veneno de ingest�o contra a maioria das esp�cies de insectos e tem uma estabilidade adequada.
Permetrina
DL50: 430 - 4 000 mg/kg
LMR: 2 ppm
Dosagem (adi��o aos cereais): 2 ppm
Dosagem (tratamento de superf�cie): 0.25%
Observa��es: A permetrina � efectiva contra muitas esp�cies de pragas que atacam os produtos armazenados, particularmente contra Rhyzopertha dominica e Prostephanus truncatus, embora mostre uma ac��o reduzida frente �s esp�cies de Tribolium. Ela � muito fi�vel quando for utilizada em combina��o com insecticidas organofosforados, mostrando uma estabilidade prolongada.
- Produtos combinados:
As dosagens seguintes dos produtos combinados s�o aplic�veis como adi��o por mistura aos cereais armazenados, presentados em forma de p�s para polvilha��es:
| Fenitroti�o + Cyflutrina: | 8 + 0.2 ppm |
| Fenitroti�o + Fenvalerate: | 5 + 1 ppm |
| Pyrimiphos-metilo + Deltametrina: | 5 + 0.5 ppm |
| Pyrimiphos-metilo + Permetrina: | 8 + 1.5 ppm |
Devido a dificuldade de determinar os efeitos sinerg�ticos poss�veis, a FAO/WHO n�o definiu ainda os valores de LMR.
8.1.7 Toxicidade dos insecticidas
Os insecticidas n�o s�o s� t�xicos para os organismos alvo, mas tamb�m at� certo ponto para os seres humanos, os animais e o meio-ambiente.
A "DL50" de um insecticida � utilizada para estimar o perigo potencial do mesmo. DL significa Dose Letal. A DL50 vem exprimida em miligramas (mg) do insecticida concernente por quilograma de peso do corpo do animal experimental, geralmente ratos. A DL50 e a quantidade de uma mat�ria activa que leva � morte de 50% dos animais experimentais depois de s� uma aplica��o. Devido a que a toxicidade de um insecticida tamb�m varia de acordo ao tipo de contacto com o corpo, diferencia-se entre a DL50 (oral) e a DL50 (dermal).
Os insecticidas s�o classificados de acordo � sua toxicidade da forma seguinte:
| Classifica��o | DL50 para ratos (mg/kg de peso) |
|
| oral | dermal | |
| Extremamente perigoso | debaixo de 25 | debaixo de 50 |
| Muito perigoso | 25- 200 | 50- 400 |
| Moderadamente perigoso | 200 - 2 000 | 400 - 2 000 |
| Pouco perigoso | mais de 2 000 | mais de 2 000 |
A DL50 aplica-se � mat�ria activa pura de um insecticida, embora a concentra��o e o tipo de formula��o e aplica��o tamb�m sejam factores importantes. Insecticidas com uma DL50 alta, t�m um valor de toxicidade aguda relativamente baixa. N�o obstante, isto n�o afecta o risco de danos para a sa�de a longo prazo (doen�as cr�nicas).
Para poder estimar os efeitos a longo prazo de um insecticida, utiliza-se a no��o "dose sem efeito". Esta dose � geralmente representada pela abrevia��o NOAEL (no observed adverse effect level). Trata-se neste caso da concentra��o mais alta de uma mat�ria activa em mg/kg de peso do animal experimental, administrada diariamente no ramo de um teste a longo prazo sem causar sintomas de envenenamento.
Este valor � dividido por um factor de seguran�a, geralmente 100. O resultado � a quantidade m�xima de um mat�ria activa (em mg/kg de peso do corpo) que uma pessoa pode consumir diariamente sem ter que temer danos para a sua sa�de, naturalmente de acordo ao estado de conhecimento actual. Este valor � chamado ADI (acceptable daily intake ou dose di�ria aceit�vel). Lamentavelmente faltam dados adequados no referente sobretudo aos efeitos das combina��es de uma s�rie de produtos qu�micos.
8.1.8 Res�duos
Urna contamina��o com res�duos de insecticidas ocorre principalmente e sobretudo ao consumir produtos contaminados. Os insecticidas e os seus produtos de descomposi��o ainda podem ser encontrados como res�duos em produtos tratados bastante tempo atr�s. Se o insecticida em quest�o �altamente t�xico, podem ocorrer danos imediatos � sa�de (veja-se sec��o 8.4.3).
As mat�rias activas que s�o quimicamente muito est�veis e de descomposi��o lenta (p.ex. os que t�m uma alta persist�ncia) podem presentar efeitos a longo prazo. Mesmo no caso de uma toxicidade aguda menor, eles podem ocasionar um envenenamento cr�nico como consequ�ncia da sua acumula��o, particularmente no tecido adiposo. Isto � o que acontece por exemplo com DDT e os outros hidrocarbonetos clorinados. Lamentavelmente, estes s�o ainda utilizados para o cambate das pragas de armazenagem., apesar de estar proibidos oficialmente na maioria dos pa�ses.
Para proteger o consumidor, existem para todos os insecticidas os "Limites M�ximos de Res�duos" (LMR) admiss�veis nos produtos aliment�cios tratados. Devido a que uma grande parte do insecticida � descomposto durante a transforma��o, s�o permitidos limites de res�duos mais altos em produtos prim�rios (p.ex. cereal cru) que nos produtos transformados (p.ex. farinha). Isto significa que pessoas que consumem alimentos com res�duos de insecticidas os quais n�o excedem os LMR, n�o v�o alcan�ar o valor ADI (dose di�ria aceit�vel) (veja-se sec��o 8.1.7).
J� que � poss�vel que um produto tratado, p.ex. um cereal, seja consumido logo depois de ser tratado, a quantidade de insecticida aplicada n�o deve exceder os limites m�ximos de res�duos admiss�veis. Esta exig�ncia forma parte das recomenda��es do Joint Codex Committee da FAO/WHO e das legisla��es nacionais.
A preocupa��o pela sa�de humana provocou nos �ltimos anos o desenvolvimento de novas no��es para a evalua��o toxicol�gica dos insecticidas. Neste sentido foi introduzida a TMDI (dose te�rica m�xima di�ria), a qual se baseia na multiplica��o do valor LMR dos produtos b�sicos da alimenta��o nacional e do consumo di�rio estimado.
Diante a tarefa quase imposs�vel de predizer a TMDI, a FAO/WHO fez a proposi��o de utilizar a dose di�ria m�xima estimada (EMDI) para poder oferecer aos consumidores valores mais realistas sobre os riscos para a sa�de. Um aperfei�oamento foi introduzido com a no��o da dose di�ria estimada (EDI). N�o obstante, o c�lculo destes factores s� � poss�vel em pa�ses com dados b�sicos dignos de confian�a, o que reduz o valor pr�ctico do m�todo.
Para manter o mais baixo poss�vel a dose de insecticidas, devem ser observadas as medidas seguintes:
- Utilizar s� mat�rias activas e formula��es que s�o oficialmente aprovadas para o uso no combate de pragas na armazenagem!
- Respeitar estritamente as doses de aplica��o recomendadas!
- Tratar o produto armazenado s� urna vez e evitar a dosagem excessiva!
- Evitar tratamentos desnecess�rios com insecticidas!
- N�o tratar o produto pouco tempo antes de ser vendido ou consumido!
8.1.9 Resist�ncia
Fala-se de resist�ncia, quando urna infesta��o de pragas n�o pode mais ser controlada pela dose de aplica��o origin�riamente recomendada de um insecticida. O desenvolvimento de uma resist�ncia � o resultado de um processo de selec��o. Dentro de uma popula��o de pragas, encontram-se sempre alguns individuos que reagem de maneira menos sens�vel que a maioria dos outros a um tratamento com insecticida. Eles podem assim sobreviver e se reproduzir. Ao conseguir isto, eles passam a insensibilidade � pr�xima gera��o. Passa-se ent�o depois de um determinado tempo, por um processo de selec��o de insectos resistentes.
As esp�cies de insectos com uma alta taxa de reprodu��o (per�odos curtos de gera��es, grande quantidade de descendentes) desenvolvem uma resist�ncia mais rapidamente do que outras. O clima nas regi�es tropicais e os curtos per�odos entre as gera��es resultantes, favorecem consideravelmente o desenvolvimento da resist�ncia. O processo do desenvolvimento de resist�ncia � ainda favorecido no caso de:
� utilizar a mesma mat�ria activa durante um longo per�odo
� uma degrada��o parcial do insecticida devido a uma armazenagem prolongada
� utilizar quantidades insuficientes de insecticida
� uma distribui��o desigual da mat�ria activa
� efectuar frequentemente aplica��es de insecticidas
� existir condi��es de higiene insuficientes.
Uma popula��o de insectos pode-se voltar resistente a dois insecticidas diferentes, mesmo no caso de ter sido tratada s� com um deles. Este fen�meno � chamado de resist�ncia cruzada e pode ocorrer tamb�m quando dois insecticidas pertencem a grupos qu�micos diferentes.
Quando os insectos mostram resist�ncia frente a diferentes mat�rias activas, ao igual que frente a diferentes grupos de insecticidas, fala-se de uma resist�ncia m�ltiple.
Distingue-se entre v�rias formas de resist�ncia:
- Resist�ncia fisiol�gica: os insectos t�m a faculdade de neutralizar a mat�ria activa no seu metabolismo antes de que possa agir toxicamente.
- Resist�ncia morfol�gica: os insectos adaptaram a sua estrutura f�sica, p.ex. por meio de uma camada de cera ou p�los, para evitar a penetra��o do insecticida dentro do corpo.
- Resist�ncia por comportamento: os insecticidas evitam activamente o contacto com o insecticida.
As seguintes medidas deveriam ser tomadas para evitar o desenvolvimento de uma resist�ncia:
- Mude de mat�ria activa regularmente (se for poss�vel uma vez por ano)!
- Use insecticidas s� no caso de existir condi��es de higiene perfeitas!
- Assegure-se que a dosagem e a aplica��o sejam efectuadas correctamente!
- N�o utilze insecticidas se n�o for necess�rio!
Um aumento da quantidade do insecticida n�o � solu��o e s� genera mais resist�ncia. Al�m disso, o m�todo n�o � nem econ�mico, nem permitido, devido �s estipula��es legais sobre o limites m�ximos de res�duos.
Nota: A aplica��o intensiva do malati�o nos �ltimos anos ocasionou uma resist�ncia frente a este insecticida em todo o mundo. Por isso, n�o � mais poss�vel recomendar o mesmo para o combate das pragas de armazenagem. Os insectos resistentes ao malati�o presentam frequentemente resist�ncias cruzadas frente a preparados organofosforados mais novos.
Deve ser considerado tamb�m o facto, que as resist�ncias frente ao clorpyrifosmetilo s�o muito frequentes e que apareceram as primeiras resist�ncias frente ao pyrimiphos-metilo em pa�ses aonde a aplica��o deste produto � muito divulgada. As esp�cies de insectos resistentes s�o suscept�veis de se expandir em todo o mundo por meio do com�rcio.