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2. Aspectos fundamentais da armazenagem

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2.1 Propriedades dos produtos armazenados
2.2 Factores clim�ticos na armazenagem
2.3 Refer�ncias liter�rias

 

2.1 Propriedades dos produtos armazenados

A forma mais comum de armazenagem de alimentos (cereais e legumes) � a do gr�o vivo. Este cont�m uma alta concentra��o de subst�ncias nutritivas e � f�cil de armazenar gra�as a seu fraco teor em �gua.

Estes tr�s exemplos ilustram a estrutura de um gr�o:

Figura 1

Os componentes mais importantes de uma semente s�o:

O embri�o, a partir do qual desenvolve-se a planta nova. Este e particularmente rico em �leo, proteinas e vitaminas.

O endosperma, o qual constitui a reserva nutritiva do embri�o. Este �composto essencialmente de amido.

O tegumento, composto de diferentes camadas que protegem o gr�o contra influ�ncias doninhas.

Os legumes n�o possuem endospermas. Neste caso s�o os cotil�dones, espessos e polposos, os que assumem a fun��o de tecido nutritivo.

A apropria��o para a armazenagem determina-se de acordo �s propriedades das sementes descritas no capitulo seguinte.

2.1.1 Respira��o

Um gr�o � um organismo vivente que respira. Durante a respira��o, o amido e o oxig�nio produzem g�s carb�nico, mas tamb�m �gua e calor:

Figura 2

Um aumento temperatura de armazenagem leva a um aumento da taxa de respira��o. A degrada��o das subst�ncias nutritivas como consequ�ncia da respira��o leva a perdas no peso e na qualidade dos produtos armazenados.

2.1.2 Teor em �gua

O gr�o cont�m �gua. O teor em �gua do produto armazenado � vari�vel. Um teor em �gua superior a um limite seguro que depende do tipo de gr�o, favorece a infesta��o com fungos e insectos, o que reduz a dura��o da conserva��o do produto.

2.1.3 Condutibilidade calor�fica

Cereais e legumes possuem uma baixa capacidade de condutibilidade calor�fica. Isto significa que as diferen�as de temperatura no produto armazenado s� s�o percept�veis sobre distancias curtas e sobre per�odos longos. Isto leva a acumula��es de calor com todas as consequ�ncias desavantajosas como por exemplo o aumento da respira��o, a infesta��o com insectos e a condensa��o (veja-se sec��es 2.1.1, 2.2.1 e 2.2.3).

2.2 Factores clim�ticos na armazenagem

A temperatura do ar, a humidade relativa e o teor em �gua do produto armazenado est�o estreitamente ligados por uma rela��o de interdepend�ncia.

2.2.1 Influ�ncia temperatura

A temperatura exerce uma grande influ�ncia sobre a taxa de respira��o do produto armazenado, sobre os organismos parasitos, ao igual que sobre a humidade relativa e sobre o teor em �gua nos produtos armazenados. As temperaturas que se encontram em regi�es clim�ticas tropicais e subtropicais oferecem condi��es de vida ideais para as pragas, em lugares de humidade relativa alta abundam tamb�m os fungos.

2.2.2 Influ�ncia da humidade relativa do ar (r.h.)

O teor em �gua no ar pode variar ao igual que o do produto armazenado.

A humidade absorvida pelo ar em forma de vapor de �gua � chamada humidade absoluta do ar e exprime-se em g/m� de ar.

Por�m, o ar n�o pode absorver humidade indefinidamente. Existe uma quantidade de �gua m�xima que o ar pode absorver a uma temperatura determinada. No caso de alcan�ar esta quantidade m�xima, fala-se de satura��o e de teor em humidade de satura��o do ar. A humidade relativa e de 100% ao alcan�ar o ponto de satura��o.

Sendo a humidade absoluta s� a metade da teor em humidade de satura��o, fica uma humidade relativa de 50%, no caso de um quarto da taxa, fica uma humidade relativa de 25%, etc.

A humidade relativa do ar � ent�o a express�o em percentagem da taxa de satura��o do ar com vapor de �gua. Os hidr�metros indicam a teor em humidade relativa em percentagem.

Figura 3

De acordo ao j� mencionado, a taxa de satura��o do ar depende da temperatura, o que significa que quanto mais alta for a temperatura, mais �gua pode ser absorvida pelo ar:

Figura 4

Isto significa que a satura��o � alcan�ada com diferentes quantidades de vapor de �gua a diferentes temperaturas.

O teor absoluto em vapor de �gua muda por exemplo depois de uma chuva. Existe ent�o mais humidade a ser absorvida pelo ar, resultando assim um aumento da humidade relativa.

Em dias de sol, a humidade absoluta fica mais ou menos constante. Que acontece ao mudar a temperatura?

Quando o ar torna a aquecer, aumenta a sua capacidade para absorver humidade, o que significa que a teor em humidade de satura��o tamb�m aumenta. No caso de uma quantidade de vapor de �gua constante no ar, baixa a taxa de satura��o. Consequentemente, baixa a humidade relativa do ar.

Quando o ar se esfria, diminui a sua capacidade para absorver humidade, o que significa que a teor em humidade de satura��o tamb�m diminui. No caso de uma quantidade de vapor de �gua constante no ar, aumenta a taxa de satura��o. Consequentemente, aumenta a humidade relativa (veja-se tamb�m sec��o 2.2.3).

Figura 5

Isto significa que nos dias sem chuva, a humidade relativa � maior nas primeiras horas da manh� e alcan�a seu ponto mais baixo logo depois do meiodia, quando as temperaturas s�o as mais elevadas, aumentando novamente durante a tarde e a noite ao mesmo tempo que o ar se esfria.

2.2.3 Condensa��o

No caso do ar se estriar fortemente, pode acontecer que a humidade relativa do ar chegue a 100%, ou seja a seu ponto de satura��o (ponto de orvalho). Ao ultrapassar este ponto de satura��o, o ar cont�m mais humidade do que �capaz de absorver a t�o baixa temperatura. Nesse momento aparece o fen�meno da condensa��o, o que significa que o excedente de vapor aparece em forma de �gua, sobre as superf�cies frias.

Figura 6

Nos armaz�ns, forma-se geralmente �gua condensada no caso de existir uma grande diferen�a de temperatura entre o interior e o exterior do armaz�m. Isto acontece por exemplo quando as paredes exteriores aquecem ou se esfriam como consequ�ncia da diferen�a de temperaturas entre o dia e a noite. O desequil�brio das temperaturas provoca uma circula��o ao n�vel do ar contido no produto armazenado.

Quando os raios de sol aquecem as paredes exteriores de um armaz�m, aquece-se tamb�m o ar interior que se encontra perto da parede. O aumento de temperatura faz baixar a humidade relativa. O ar pode assim absorver a humidade adicional contida no produto armazenado. Quando este ar entra em contacto com superf�cies mais frias, esfria-se o mesmo e a descida de temperatura faz subir a humidade relativa, podendo ate ultrapassar o ponto de satura��o e resultar em condensa��o. O mesmo acontece quando a temperatura exterior � mais baixa que a do interior do armaz�m.

Figura 7

A condensa��o se forma especialmente em silos, mas tamb�m em armaz�ns, principalmente perto das paredes e do tecto, gotejando de l� sobre o produto armazenado. As vezes a �gua se deposita tamb�m debaixo das lonas que cobrem estes produtos. Frequentemente, isto leva � apari��o de mofo e provoca �s vezes at� uma germina��o do produto armazenado.

Tamb�m pode aparecer condensa��o por causa de uma praga de insectos em lugares determinados do produto armazenado. A respira��o dos insectos provoca um aumento da temperatura e da humidade, resultando na forma��o de "hot spots" (pontos sobreaquecidos). Quando a temperatura num destes "hot spots" ultrapassar os 40�C, toma-se muito quente para os insectos e eles mudam a lugares mais frescos. O "hot spot" come�a ent�o a se expandir.

Figura 8

2.2.4 Humidade relativa e teor em humidade do produto armazenado

O teor em humidade do produto armazenado e a humidade relativa do ar ambiente no armaz�m tentam encontrar um estado de equil�brio. Dependendo da humidade relativa prevalecente, o produto armazenado libera humidade �atmosfera (secagem) ou absorve humidade da atmosfera (humedecimento) at� alcan�ar um estado de equil�brio.

Figura 9

O arejamento controlado do armaz�m (arejar o armaz�m quando a humidade relativa � baixa e fechar o mesmo quando a humidade relativa � alta) permite uma secagem posterior do produto durante o per�odo de armazenagem (veja-se sec��o 5.2.4.2).

2.2.5 Teor em humidade m�xima do produto no caso de uma armazenagem a longo prazo

No caso do produto armazenado estar h�mido, existe o perigo da apari��o de fungos e mofo. Fungos come�am a aparecer a partir de uma humidade relativa do ar de mais de 65-70%. O teor em humidade para uma armazenagem segura e a longo prazo de produtos aliment�cios, deveria se encontrar em equil�brio a uma teor em humidade relativa de 65-70%.

Em muitas publica��es, fala-se neste contexto tamb�m da actividade de �gua (aw). A actividade de �gua significa o equivalente da humidade relativa de equil�brio exprimido em termos decimais. Uma actividade de �gua de 0,70 corresponde consequ�ntemente a uma humidade relativa de equil�brio de 70%.

Produto Teor em humidade m�ximo Produto Teor em humidade m�ximo
milho 13% feij�o 15%
trigo 13% amendoim 7%
milho mi�do 13% cacau 7%
sorgo 13% copra 7%
arroz cru 14% palmistes 5%
arroz 13% caf� 13%

O teor em humidade de equil�brio varia em fun��o da composi��o qu�mica dos diferentes tipos de produtos armazenados. Um gr�o com um alto teor em lip�dios (gorduras, �leos) vai ter por exemplo, uma teor em humidade de equil�brio bem inferior � dos cereais, que est�o compostos principalmente de amido.

2.2.6 Influencia das condi��es clim�ticas sobre o desenvolvimento das pragas e de microrganismos

Ao igual que no caso de todos os seres vivos, depende o desenvolvimento das pragas e de microrganismos das condi��es de temperatura e de humidade. Al�m de determinados limites de temperatura e de humidade, pode-se excluir a possibilidade de vida, particularmente em zonas de frio extremo, de calor extremo ou muito secas. Algumas pragas adaptam-se muito bem �s condi��es clim�ticas vari�veis, outras s�o sujeitas a limita��es muito estritas.

Figura 11

As pragas que atacam os produtos armazenados encontram geralmente as melhores condi��es de vida a temperaturas entre 28 e 33�C e uma humidade relativa entre 60 and 80%. Tendo valores pr�ximos a estas condi��es perfeitos, assiste-se a uma sucess�o r�pida das gera��es e, consequ�ntemente, a uma prolifera��o (veja-se sec��o 7.4).

Figura 12

Mofo come�a a se desenvolver a uma humidade relativa de 65-70%. Quanto maior a humidade relativa ambiente, melhor s�o as condi��es para o desenvolvimento dos fungos (mofo). A gama de temperaturas que permitem um desenvolvimento de fungos varia dependendo das esp�cies. Isto tamb�m �v�lido para a emiss�o de produtos altamente t�xicos que resultam do metabolismo dos fungos, chamados "micotoxinas", os que podem ser observados durante uma infesta��o de fungos. (veja-se sec��o 6.2).

2.2.7 Resumo das influ�ncias exercidas pela temperatura e a humidade relativa sobre a conserva��o da qualidade dos produtos armazenados

Temperaturas altas, humidade relativa alta e teor em humidade alta no produto armazenado favorecem o desenvolvimento de organismos patog�nicos. A respira��o dos agentes patog�nicos (e do produto armazenado) origina humidade e calor, factores que ainda melhoram as condi��es de vida e levam a um aumento das popula��es de pragas.

Chuva, humidade do solo e descidas de temperatura aumentam a humidade relativa. A chuva e a humidade do solo podem ser absorvidas directamente pelo gr�o.

Uma humidade relativa alta conduz a um aumento da teor em humidade do produto e, em algumas ocasi�es dependendo das condi��es, � forma��o de condensa��o. No caso de n�o serem tomadas medidas contr�rias a este desenvolvimento, podem ocorrer perdas consider�veis. A qualidade do produto armazenado s� pode ser mantida tomando as medidas necess�rias como por exemplo a secagem do produto, uma boa higiene de armazenagem, um arejamento controlado e medidas de combate de pragas.

Temperaturas baixas e constantes e uma humidade relativa reduzida favorecem a manuten��o da qualidade dos produtos armazenados.

Por essa raz�o: Armazene em lugares frescos e secos!

Figura 13

2.3 Refer�ncias liter�rias

AN�NIMO (1983) Food Storage Manual, FAO/WFP, TDRI, London, 263 p.

AN�NIMO (1988) Conservation des Grains en R�gions Chaudes, CEEMAT, Minist�re de la Coop�ration et du D�velopment, Paris, France, 529 p.

AN�NIMO (1985) Prevention of Post-Harvest Food Losses A Training Manual, FAO Training Series No. 10, FAO, Rome, 120 p.

APPERT, J. (1985) Le stockage des produits vivriers et semenciers, Vol. 1 et 2, Maisonneuve & Larose, Paris, 112 et 225 p.

CHRISTENSEN, C.M., ed. (1982) Storage of Cereal Grains and their Products, American Association of Cereal Chemists, Inc., St. Paul, Minnesota, USA, 544 p.

HALL, D.W. (1970) Handling and Storage of Food Grains in Tropical and Subtropical Areas, FAO, Rome, 350 p.

MULTON, J.L., ed. (1982) Conservation et stockage des grains et graines et produits deriv�s, Lavoisier, Paris, Volume 1, 576 p.

MULTON, J.L., ed. (1988) Preservation and Storage of Grains, Seeds and their By-Products, Lavoisier, New York, 1095 p.


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